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Indústria e comércio aprovam corte na Selic e afastam riscos inflacionário

Dezembro 01, 2011

SãO PAULO – A decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, passando de 11,5% ao ano para 11,% ao ano, foi relativamente bem avaliada pelos segmentos da economia brasileira. Tanto os principais representantes do comércio quanto da indústria comemoraram a decisão, mas frisaram que a taxa deve continuar caindo nas próximas reuniões.

Já os representantes da classe trabalhadora foram mais críticos quanto a decisão, avaliando que a redução poderia ter sido muito mais intensa e o Brasil está perdendo a oportunidade de investir no mercado interno como meio de driblar a crise internacional.

Indústria aprova queda da Selic, apesar de Fiesp querer mais

Um dos principais representantes da indústria a aprovar a redução da taxa Selic foi a CNI (Confederação Nacional da Indústria), avaliando a decisão como “correta”, ressaltando ainda que a retração “evidencia a preocupação do Copom com a retração já em curso da atividade econômica no País”.

Em nota à imprensa, a CNI ainda pontuou que o Copom adotou uma postura diferente da adotada na crise de 2008, já que desta vez mostra que está se antecipando à crise, “a continuidade da política de redução de juros é fundamental para amenizar a desaceleração da produção industrial, setor mais afetado pela crise”.

A confederação não acredita que a redução da Selic vá trazer riscos imediatos à inflação, mesmo porque os dados mostram uma recente desaceleração da taxa inflacionária, sobretudo por conta dos preços dos alimentos. O cenário inflacionário exige, porém, maior comprometimento da política fiscal “de forma a equilibrar a queda dos juros com redução nos gastos públicos, consolidando um novo mix de política econômica” avalia a CNI.

Outro representante da indústria, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), acredita que o Copom deveria ter feito um corte mais agressivo na taxa de juros, “para afastar de vez o risco de redução da produção e do emprego”. Em nota à imprensa, a entidade avalia os impactos da crise internacional sobre o crescimento brasileiro.

Houve, nesse segundo semestre, retração nas contratações e queda nas vendas, além do esfriamento do mercado de crédito. A Fiesp explica que a redução da taxa de juros implica em grande economia para os cofres públicos “cada ponto percentual da taxa Selic equivale a R$ 17 bilhões em gastos públicos adicionais”. Em sua avaliação, a situação é grave, mas sem pressão inflacionário, o que justifica quedas mais intensas da taxa de juros.

Comércio: a redução já era esperada

Para os representantes do comércio no Brasil, a redução da Selic já era algo esperado e apenas “reflete a estratégia da autoridade monetária de se antecipar ao possível impacto da crise externa e de conter o processo de desaquecimento da economia que vem sendo observado, e que tem se revelado mais forte do que o esperado”, conforme afirmou o presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Rogério Amato.

Em sua opinião, o processo de redução da taxa Selic vai continuar em 2012, já que o governo está emprenhado em evitar que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do próximo ano fique abaixo da casa dos 3%.

Na análise da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), a decisão de cortar a taxa foi “sensata”, porém, a Federação pontua que o movimento é “apenas a correção de um equívoco do governo quando estabeleceu um arsenal macroprudencial no final de 2010 para combater a alta dos preços”.

O presidente da Federação, Abram Szajman, explicou que as medidas adotadas pelo governo naquele momento continham um erro conceitual, pois não havia um processo inflacionário por choque de demanda. “Conter inflação proveniente de gargalos produtivos e de fatores pontuais e localizados através de política monetária tradicional custa muito caro em termos sociais e produz um efeito pífio, como estamos vendo no momento” ressalta Szajman.

Olhando para 2012, a Federação espera que o Banco Central continue realizando cortes na taxa de juros, “a Federação não consegue identificar os motivos pelos quais o Brasil tenha que manter taxas básicas de juros no curto e no longo prazos tão elevadas, pois há situação fiscal favorável, câmbio apreciado, inadimplência e mercado de crédito sob controle, sistema financeiro robusto e saneado, e, funcionamento institucional adequado”.

Sindicato: redução “extremamente tímida”

Os representantes dos trabalhadores voltam com a mesma avaliação que tiveram no último corte da Selic. Para eles o governo continua tomando a decisão certa, ao cortar a Selic, mas errando na medida. Esta redução foi considerada extremamente tímida pelos representantes dos trabalhadores.

Em sua análise, o Banco Central deixou passar a chance de aproveitar a retração da demanda mundial para baixar de forma drástica a taxa de juros, decisão que, segundo a Força Sindical, “poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no País”.

A Força Sindical entende que enquanto na Europa e nos EUA é mais complicado lutar contra a crise mundial, o Brasil poderia muito bem manter e dinamizar a atividade econômica interna caso apostasse no mercado interno, através de redução da Selic e de políticas orientadas para a ampliação da oferta de crédito.

Mercado financeiro: decisão correta

O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo, Keyler Carvalho Rocha, avaliou como correta a postura do Copom ao cortar a taxa Selic. Além disso, ressalta que os sinais de arrefecimento da inflação contribui que o corte na taxa seja avaliado de forma como uma atitude correta.

“Para o futuro, em meio a um cenário econômico mundial ‘conturbado’, sobretudo devido à crise europeia, será preciso acompanhar o desempenho do mercado externo para verificarmos como a taxa Selic se comportará ao longo de 2012”, finaliza Rocha.

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